sábado, 11 de dezembro de 2021

A cidade de Mohenjo Daro na Índia

 

As cidades de Mohenjo-Daro, importante centro comercial e industrial com oficinas de ceramistas, tintureiros, ferreiros, artesãos de conchas, e Harappa, centro cultural da Índia datam de 2300 a.c.[1] Por volta de 1500 a.c. as duas cidades estava extintas.[2] Em Mohenjo Daro foram encontradas manilhas de barro que serviram de rede de distribuição de água e esgoto por baixo da superfície do solo.[3] Na grande maioria das cidades gregas não havia tratamento de esgoto produzindo um ambiente de imundície repulsivo até mesmo a animais como porcos. Ivar Lissner observa  que “quando se percorre as ruas de Mohenjo Daro e de Harappa verifica-se que o conforto nada deixava a desejar, as casas continham banheiros, privadas, canalizações, cisternas de água fresca, um pátio, peças espaçosas, quartos de hóspedes, uma saleta para o porteiro e um paiol de víveres. Tudo isso numa época em que, na Europa Central, o homem só conhecia a caverna como domicílio”.[4] Aristófanes em Ecclesiasuzae relata episódio em que o proprietário dirige-se ao meio da rua para evacuar. Xenofonte  relata o requinte dos persas em evitar de evacuar em público.[5] Datados da metade do terceiro milênio foram encontrados banhos em Mohenjo Daro.[6] Embora as ruas não fossem pavimentadas eram dotadas de eficiente sistema de drenagem e de poços revestidos de tijolos.[7] A invenção do tijolo cozido em Harappa permitiu o controle de inundações.[8] Os esgotos eram forrados por tijolos e tinham aberturas regulares para inspeção[9].



[1] ROSS, Norman. The epic of man, Life Magazine, 1962, p. 83

[2] DAVREU, Robert. O império perdido do Vale do Indo. In: Seleções do Reader’s Digest, Os últimos mistérios do mundo, Lisboa, 1979, p.122

[3] THORWALD, Jurgen. O segredo dos médicos antigos. São Paulo: Melhoramentos, 1990, p.192; MAHAJAN, Shobhit. História das invenções, Berlim:Verlag, 2008, p. 25; ROSS, Norman. The epic of man, Life Magazine, 1962, p. 87; DAVREU, Robert. O império perdido do Vale do Indo. In: Seleções do Reader’s Digest, Os últimos mistérios do mundo, Lisboa, 1979, p.126

[4] LISSNER, Ivar. Assim viviam nossos antepassados, Belo Horizonte, Itatiaia, 1968, p. 98

[5] MUMFORD, Lewis. A cidade na história, São Paulo:Martins Fontes, 1982, p. 89, 146, 183

[6] FAGAN, Brian. Los setenta grandes inventos y descobrimentos del mundo antiguo, Barcelona:Blume, 2005, p. 84

[7] CLARK, Grahame. A pré história, Rio de Janeiro:Zahar, 1975, p. 207

[8] ROBERTS, J.M. history of the world, Oxford University Press, 1992, p.97

[9] CLARK, Peter. A evolução das cidades, História em Revista, Rio de Janeiro:Time Life, 1993, p.23



sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

A arte mágica de Salomão

 

O livro da Sabedoria no capítulo 7 se refere a Salomão como artífice de Deus: “Ele me deu um  conhecimento (gnosis) de tudo o que existe, para eu entender a estrutura do mundo (kosmos) e as propriedades/princípios dos elementos, o começo, o meio e o fim dos tempos, a alteração dos solstícios, as mudanças das estações, os ciclos do ano e a posição das estrelas, a natureza dos animais e a fúria das feras, a força dos espíritos/ventos (pnevmáton) e os pensamentos dos homens, a variedade das plantas e as propriedades das raízes. Aprendi tudo o que está oculto e tudo o que se vê, pois a Sabedoria (sofia), artífice de todas as coisas, mo ensinou”.[1] Salomão é retratado como grande sábio de seu tempo: ele estudou astrologia, magia de plantas, adivinhação e demonologia. Alguns tradutores obscurecem esse fato; ao traduzirem como ”o poder dos ventos”’ quando o contexto mostra que se tratam de espíritos. Josefo em Antiguidades Judaicas 8(2):1 [2] se refere a passagem como Deus tendo dado a ele conhecimento da arte que era usada contra demônios a fim de curar os homens: “Deus também o capacitou com a habilidade de expulsar demônios, que é uma ciência útil para curar os homens”.[3] O nome Salomão deriva do hebraico Shalom que significa paz.[4] Plínio em História Natural capítulo XXX [5] trata das imposturas das artes mágicas que incluem três áreas: medicina, religião, e artes matemáticas ou astrologia [6].



[1] https://en.katabiblon.com/us/index.php?text=LXX&book=Wsd&ch=7&interlin=on

[2] https://penelope.uchicago.edu/josephus/ant-8.html#EndNote_Ant_8.6b

[3] LUCK, Georg. Arcana Mundi: magic and the occult in the Greek and roman worlds, Baltimore: Johns Hopkins University Press, 2006, p.58

[4] LISSNER, Ivar. Assim viviam nossos antepassados, Belo Horizonte, Itatiaia, 1968, p. 126

[5] https://penelope.uchicago.edu/Thayer/L/Roman/Texts/Pliny_the_Elder/30*.html

[6] http://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Perseus%3Atext%3A1999.02.0137%3Abook%3D30%3Achapter%3D1



A púrpura dos fenícios

 

Os fenícios destacam-se pelo uso do corante púrpura extraído de um molusco encontrados na costa da Síria e conhecido como murex trunculus ou murex brandaris[1]. As ilhas Canárias e Madeira conquistadas pelos fenícios em 530 a.c pelo navegador Hano eram ricas deste corante, a “rocella tinctoria”.[2]  O corpo mole e incolor do caracol se transformava em púrpura à luz do sol.[3] Hano relata ter alcançado o monte “carro divino”, expressão a que Plínio também faz menção[4] e que se acredita tratar de um vulcão, possivelmente o Monte Camerum.[5] Heródoto se refere aos comerciantes  de Creta onde a púrpura de Tiro era muito apreciada[6]. Sérgio Buarque de Holanda aponta que possivelmente tais corantes não poderiam se originar somente do murex, mas de algum conhecimento hoje perdido[7]. Ivar Lissner destaca que “a púrpura de Tiro não era dum vermelho escarlate como se acredita muitas vezes, mas cor de vileta puxando mais para o preto, sua cor é a do sangue coagulado. Mas em certas condições de iluminação, um pano tinto  com a púrpura adquire reflexos vermelhos”[8]. O termo “fenício” é grego de phoinix[9], phenos – sangue vermelho, possivelmente em referência à “púrpura fenícia” tintura fabricada com moluscos em Tiro[10]. Outra origem para o termo é fênix que no grego significa palmeira.[11] Os cidadãos que o produziam passaram a ser chamados Phoinikes.[12] Heródoto que escreve em 400 a.c. se refere a existência de Tiro “desde 2300 anos” ou seja 2750 a.c. Na Odisseia  de Homero escrita em 800 a.c já se refere as fenícios como marinheiros piratas “que abordam nossas costas trazendo em seus navios uma porção de coisas curiosas e raras”.[13] Hirão, rei de Tiro por volta de 960 a.c foi amigo dos reis Davi e Salomão. O profeta Zacarias 9:3 exalta a riqueza de Tiro: “E Tiro edificou para si fortalezas, e amontoou prata como o pó, e ouro fino como a lama das ruas”. Cartargo no norte da África foi uma fundação dos fenícios em 870 a.c.  Mary Beard destaca que em Roma a púrpura era considerada uma tinta nobre reservada conforme a lei para colorir as roupas de senadores e do imperador.[14]

[1] BURNS, Edward McNall. História da civilização ocidental, Rio de Janeiro:Ed. Globo, 1959, p.144; MATTOSO, Antonio. História da civilização, Lisboa:Ed Sá da Costa, 1952, p.174; SARTON, George. Ancient Science Through the Golden Age of Greece, New York:Dover, 1980, p.109; MASPERO, Gaston. History Of Egypt, Chaldæa, Syria, Babylonia, and Assyria, v. 4, London:Grolier Society, 1896. http://www.gutenberg.org/files/17324/17324-h/17324-h.htm

[2] HERRMANN, Paul. As primeiras conquistas. São Paulo:Boa Leitura Editora, 3ª edição, p. 83

[3] KELLER, Werner, E a Bíblia tinha razão, São Paulo: Melhoramentos, 1964, p.188

[4] HERRMANN, Paul. As primeiras conquistas. São Paulo:Boa Leitura Editora, 3ª edição, p. 125

[5] HERRMANN, Paul. As primeiras conquistas. São Paulo:Boa Leitura Editora, 3ª edição, p. 85

[6] FORBES, R. Chemical, culinary and cosmetic arts. SINGER, Charles; HOLMYARD, E. A history of technology, v.I, Oxford, 1956, p.247

[7] HOLANDA, Sérgio Buarque. Visões do Paraíso, São Paulo;Brasiliense, 1994, p. 152

[8] LISSNER, Ivar. Assim viviam nossos antepassados, Belo Horizonte, Itatiaia, 1968, p. 98

[9] ROSS, Norman. The epic of man, Life Magazine, 1962, p. 121

[10] STEVERS, Martin. A inteligência através dos séculos. São Paulo:Globo, 1946, p.254; HERRMANN, Paul. As primeiras conquistas. São Paulo:Boa Leitura Editora, 3ª edição, p. 83

[11] LISSNER, Ivar. Assim viviam nossos antepassados, Belo Horizonte, Itatiaia, 1968, p. 93

[12] CHIERA, Giovanna. I fenici mercanti e avventurieri dell antichitá, Roma: Newton Compton Ed., 1979, p. 16

[13] LISSNER, Ivar. Assim viviam nossos antepassados, Belo Horizonte, Itatiaia, 1968, p. 95

[14] BEARD, Mary. SPQR: uma história da Roma Antiga, São Paulo: Planeta, 2010, p. 443



quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

A medicina no Antigo Egito

 

Helena Blavatsky em seu livro Ísis sem veu de 1877 acredita que o Livro dos Mortos e o papiro de Ebers são dois dos livros herméticos citados por Clemente[1] muito embora Paul Johnson aponte que nenhum destes livros herméticos citados por Clemente chegou até nós[2]. Ao contrário do papiro cirúrgico de Edwin Smith o papiro de Ebers é um manual de ensino para clínicos em geral.[3] Segundo o relato de Heródoto: “Depois dos líbios, são os egípcios o povo mais sadio que existe”.[4] Heródoto em texto de 450 a.c destaca que os médicos egípcios, que os chama de “raça de boticários”[5] eram especializados conforme a doença: “a prática da medicina é tão dividida entre os egípcios que cada médico é um curador de uma doença e nada além disso. Todo o país é cheio de médicos, alguns médicos são para os olhos, outros para a cabeça, outros para os dentes, outros para o ventre e outros para os distúrbios interiores”[6], relato confirmado em inscrições como a imagem do médico Sekhet Enanakh que curou o rei Sahure de 2550 a.c de uma enfermidade das vias respiratórias.[7] As deusas Taweret, Meskhenet e o deus Bes protegiam as mulheres no parto e suas crianças. Embora Bes fosse conhecido de períodos anteriores, ele foi particularmente popular no Império Novo. Sua forma e aspecto sugerem que ele pode, originalmente, ter vindo de outras partes do Oriente Próximo.[8] Selket protegia contra picada de escorpiões. Os sacerdotes da deusa leoa Sekhmet [9], consorte de Ptah [10], eram especializados em medicina e cirurgia [11], e tanto pode causar doenças como curá-las.[12] O papiro de Ebers refere-se a medicamentos tais como pomadas feitas com patas de cão e casco de burro, além de medicamentos “excrementícios” como excremento de crocodilo para tratar a catarata [13]. Para cegueira se injetava o humor líquido extraído dos olhos sãos de um porco sendo injetado pelo ouvido do cego junto com a fórmula: “tenho procurado o que deve ser posto no lugar daquilo, para substituir uma dor temível, temível”. Dentre os oculistas e dentistas mencionados encontra-se o nome de Hesy Re de 2600 a.c. da IV Dinastia. [14] O rei persa Ciro pediu um oculista ao faraó. [15] A perícia dos dentistas egípcios é registrada em uma mandíbula encontrada em uma tumba da IV Dinastia (2900-2750 a.c.). [16] O imperador persa Dario também tinha médicos egípcios [17]. Deodoro da Sicília observa que os médicos egípcios “prendiam-se cegamente as opiniões de seus antepassados” caso contrário podiam ser acusados e condenados à morte por descumprirem os preceitos do livro sagrado.[18] As escolas de medicina funcionavam junto aos tempos das quais se destaca a escola de Saís, destruída por Cambises e restaurada por Dario I.[19] Embora Heródoto se refira aos médicos egípcios divididos em especialidade entre as quais odontologia Filce Leek examina cerca de 3000 crânios, porém, não encontra nenhum encontra um sinal de interferência humana ativa relativo a qualquer doença dentária, mesmo entre as múmias de faraós. Segundo Warren Dawson: “é extremamente improvável que existisse qualquer profissão distinta no Egito antes da era de Ptolomeu. Havia médicos no Antigo Reino, porém seus métodos eram mais mágicos do que terapêuticos”.[20]

[1] https://cswr.hds.harvard.edu/news/2014/05/10/reinventing-religion-ancient-egypt-european-history-religion

[2] JOHNSON, Paul. História Ilustrada do Egito. Rio de Janeiro:Ediouro, 2002, p. 191

[3] CASSON, Lionel. O antigo Egito. Rio de Janeiro:José Olympio, 1969, p.160

[4] LISSNER, Ivar. Assim viviam nossos antepassados, Belo Horizonte, Itatiaia, 1968, p. 73

[5] BOORSTIN, Daniel. Os criadores, Rio de Janeiro:Civilização Brasileira, 1995, p.204

[6] MUMFORD, Lewis. A cidade na história, São Paulo:Martins Fontes, 1982, p. 120; SARTON, George. Ancient Science Through the Golden Age of Greece, New York:Dover, 1980, p.122

[7] THORWALD, Jurgen. O segredo dos médicos antigos. São Paulo: Melhoramentos, 1990, p.26

[8] SILVERMAN, David. Introduction to Ancient Egypt and Its Civilization, Semana 4, Gods and Goddesses Part 8, 2021 https://www.coursera.org/learn/introancientegypt/

[9] https://pt.wikipedia.org/wiki/Sekhmet

[10] WEST, John Anthony. The traveler’s key to ancient Egypt, New York:Quest, 2012, p. 68

[11] JACQ, Christian. O mundo mágico do antigo Egito, Rio de Janeiro:Bertrand do Brasil, 2001, p.39

[12] SHAFER, Byron. As religiões no Antigo Egito, São Paulo: Nova Alexandria, 2002, p. 70

[13] TATON, René. A ciência antiga e medieval, São Paulo:Difusão, 1959, tomo I, v.I, p. 68, 76; LISSNER, Ivar. Assim viviam nossos antepassados, Belo Horizonte, Itatiaia, 1968, p. 73

[14] MOKHTAR, Gamal. História geral da África, II: África antiga, Brasília : UNESCO, 2010, p.139

[15] CROUZET, Maurice. História Geral das Civilizações: O Oriente e a Grécia Antiga: as civilizações imperiais, v. I, Rio de Janeiro:Bertrand Brasil, 1998, p. 179

[16] SARTON, George. Ancient Science Through the Golden Age of Greece, New York:Dover, 1980, p.44

[17] JOHNSON, Paul. História Ilustrada do Egito. Rio de Janeiro:Ediouro, 2002, p. 191

[18] TATON, René. A ciência antiga e medieval, São Paulo:Difusão, 1959, tomo I, v.I, p. 28

[19] MATTOSO, Antonio. História da civilização, Lisboa:Ed Sá da Costa, 1952, p.82

[20] Filce-Leek, F. The Practice of Dentistry in Ancient Egypt. Journal of Egyptian Archaeology 53 (1967), pp. 51-58



A esfinge de Gizé

 

Para André Pochan a pirâmide de Quéops, conhecida como Grande Pirâmide de Gizé, trata-se de um templo solar dedicado ao deus Khnum[1] hipótese levantada por Reisner após o estudo da mastaba Pen Meruu que menciona a pirâmide com o determinativo próprio aos templos solares[2]. Edwards considera a grande esfinge afrente da pirâmide como uma representação de Khefren sob o aspecto de deus sol[3]. A pirâmide do faraó Sahue  da V Dinastia (2430 a.c.) mostra um baixo relevo do templo em que o rei é representado  por uma esfinge derrubando seus inimigos, o que sigere que o rosto desenhado na esfinge diante da pirâmide em Hizé não é a representação do deus Sol, a do rei Quéfrem.[4] O encantamento 508 dos textos das pirâmides diz: “eu lancei teus raios como uma rampa sob meus pés, pela qual subo até minha mãe, Ureus vivente na fronte de Rá”.[5] Como não foi encontrada a tumba do faraó, Bruchet argumenta que a pirâmide não se trata de um túmulo, mas um cenotáfio, ou seja um túmulo honorário, um memorial em homenagem ao faraó[6]. Como templo solar a pirâmide seria encimada de um pequeno obelisco ou talvez uma esfera gnomon, embora não haja qualquer vestígio[7]. Estrabão é o único autor que descreve a presença de uma porta giratória móvel na entrada da pirâmide, hipótese sustentada também por Flinders Petrie, uma vez que em Dachur também há evidências de uma porta móvel.[8] Quéops era também conhecida como Grande Pirâmide de Gizé. As pirâmides de Quéfren (Khafre) e Miquerinos (Menkaure), faraós da quarta dinastia, mostram de forma evidente a evolução das construções: “Não costumamos pensar nos egípcios como paradigmas de progresso, as a técnica humana não conheceu muitos outros avanços tão espetaculares”. David Silverman observa o elemento Rá nos nomes Quéfren (Khafre – filho de Rá) e Miquerinos (Menkaure), o que pode estar relacionado ao conceito de seu falecido pai, como sendo a relação com o sol.[9]

[1] POCHAN, André. O enigma da grande pirâmide, Rio de Janeiro: Difusão, 1977, p.5

[2] POCHAN, André. O enigma da grande pirâmide, Rio de Janeiro: Difusão, 1977, p. 12

[3] EDWARDS, J. As pirâmides do Egito, Rio de Janeiro:Record, 1985, p.122

[4] LISSNER, Ivar. Assim viviam nossos antepassados, Belo Horizonte, Itatiaia, 1968, p. 51

[5] EDWARDS, J. As pirâmides do Egito, Rio de Janeiro:Record, 1985, p.251

[6] POCHAN, André. O enigma da grande pirâmide, Rio de Janeiro: Difusão, 1977, p.27

[7] POCHAN, André. O enigma da grande pirâmide, Rio de Janeiro: Difusão, 1977, p. 16

[8] POCHAN, André. O enigma da grande pirâmide, Rio de Janeiro: Difusão, 1977, p. 25, 137, 138, 139, 253; EDWARDS, J. As pirâmides do Egito, Rio de Janeiro:Record, 1985, p.114

[9] SILVERMAN, David. Introduction to Ancient Egypt and Its Civilization, Semana 5, The pyramids and the Sphinx, Part 9, 2021 https://www.coursera.org/learn/introancientegypt/



Código de Ur Nammu

 

Em 1952 foi encontrada por Samuel Noé Kramer em uma tabuinha de Istambul na Turquia um código bem mais antigo, o Código de Ur-Nammu[1], também da Mesopotâmia de 2050 a.C. cerca de 300 anos anterior ao código de Hammurabi,[2] em uma época em que a Mesopotâmia vivia seu grande esplendor com progresso das ciências e na construção de templos[3]. Segundo o código de Ur-Nammu o filho de um homem livre (awilum) ofender seu pai ou sua mãe, terá os cabelos cortados como um escravo (wardum); ele será exibido por toda a cidade e depois será expulso da casa de seu pai.[4] O corte de cabelo era usado como uma marca para identificar os escravos. Um cidadão que fratura o pé ou uma mão de outro cidadão durante uma rixa, terá de pagar dez siclos de prata. Se o atingiu com uma arma e lhe fraturou um osso pagará uma mina de prata, mas quebrar o nariz de ourem custa apenas dois terços de uma mina.[5]



[1] KRAMER, Samuel. Mesopotãmia o berço da civilização, Rio de Janeiro: José Olympio, 1983, p. 42, 88; BOUZON, E. O código de Hammurabi, Rio de Janeiro:Vozes, 1976, p.13; https://en.wikipedia.org/wiki/Code_of_Ur-Nammu

[2] GOWLETT, John. Arqueologia das primeiras culturas. Barcelona:Folio, 2008, p.9

[3] ULRICH, Paul. Os grades enigmas das civilizações desaparecidas, Grécia, Roma e Oriente Médio, Rio de Janeiro, Otto Pierre Ed, 1978, p.217

[4] PEDROSA, Ronaldo Leite. Direito em história, Rio de Janeiro: Lumen, 2005, p.47

[5] GILISSEN, John. Introdução histórica ao direito, Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian 1986, p. 64; LISSNER, Ivar. Assim viviam nossos antepassados, Belo Horizonte, Itatiaia, 1968, p. 30



domingo, 5 de dezembro de 2021

A decifração da escrita cuneiforme

 

Em 1765 o alemão Niebuhr descobriu inscrições em Persépolis que o levaram a decifração da escrita cuneiforme.[1] O vocabulário sumério consistia principalmente de monossílabos o que possibilitava reduzir o número de símbolos em uso de modo que por volta de 2900 a.c. um total de 2000 símbolos foi reduzido para apenas 500 ou 600 dos quais 100 representavam uma única sílaba. Os sumérios nunca usaram exclusivamente fonemas, mas uma combinação arbitrária de fonemas e ideogramas[2]. Apesar disso como os sons consoantes não se distinguiam da sílaba em que se encontravam os sumérios nunca conseguiram um alfabeto.[3] A escrita cuneiforme era feita pela pressão do estilete sobre a argila mole, sendo que o termo foi cunhado pelo alemão Engelbert Kampfer. Decifrando os nomes dos rei persa Dario, o Grande em duas inscrições encontradas em Persepolis chamadas "inscrições Niebuhr" o alemão Georg Friedrich Grotefend em 1802 fez contribuições significativas para decifração da escrita cuneiforme que foram mais tarde confirmadas por Champollion em 1823 ao decifrar as inscrições em quatro línguas presentes no  "vaso Caylus" (figura) com o nome de Xerxes I.[4] Henry Rawlinson foi o tradutor da escrita cuneiforme ao decifrar em 1857 as inscrições na Rocha de Behistun no Irã,[5] com uma inscrição das vitórias de Dario em 516 a.c. em suas formas cuneiforme classe I (Antigo Persa), elamita e acádio que ao contrário do Antigo persa não era alfabético.[6]  A inscrição: “Diz Dario, o Rei: ó  tu, que doravante contemplares esta inscrição, ou estas esculturas. Não as destruas, mas desde agora protege-as por todo o tempo em que viveres com saúde e vigor”. Uma das inscrições no Irã foi entalhada numa rocha de 90 metros de altura, tão alto que ninguém poderia destruir[7]. Em 1851 Rawlinson publicou a célebre Memoir on the babilonian and assyrian inscriptions. No Elam, em Susa foram encontrados vestígios de escrita pictográfica[8].  Para decifrar o texto Rawlinson usou a técnica inicialmente desenvolvida por Georg Grotefend em 1802 que ficou conhecida como teoria de Grotefend.[9] Hommel mostra que a letra A tem sua origem na Babilônia, inicialmente representada pelo desenho de um touro (alpu) o primeiro signo do Zodíaco. Em seguida esta cabeça de touro foi desenhada de modo mais simplificado ante que por volta de 2000 a.c. os beduínos semitas, antecessores dos judeus deitaram a letra. O hebreu deu origem ao alef que os gregos irão colocar em pé para formar o A atual, ficando exatamente na posição contrária a original dos caldeus.[10]



[1] EYDOUX, Henri Paul. Á procura dos mundos perdidos, São Paulo:Melhoramentos, 1967, p. 288

[2 TOYNBEE, Arnold. A humanidade e a mãe terra, Rio de Janeiro:Zahar, 1976, p.80

[3] DERRY, T.; WILLIAMS, Trevor. Historia de la tecnologia: desde la antiguidade hasta 1750, Mexico:Siglo Vintuno, 1981, p.312; SARTON, George. Ancient Science Through the Golden Age of Greece, New York:Dover, 1980, p.64

[4] https://en.wikipedia.org/wiki/Georg_Friedrich_Grotefend

[5] KRAMER, Samuel. Mesopotãmia o berço da civilização, Rio de Janeiro: José Olympio, 1983, p. 126, 143; ULRICH, Paul. Os grades enigmas das civilizações desaparecidas, Grécia, Roma e Oriente Médio, Rio de Janeiro, Otto Pierre Ed, 1978, p.204; EYDOUX, Henri Paul. Á procura dos mundos perdidos, São Paulo:Melhoramentos, 1967, p. 46

[6] SARTON, George. Ancient Science Through the Golden Age of Greece, New York:Dover, 1980, p.65

[7] BERLITZ, Charles. As línguas do mundo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988, p. 132; ONCKEN, Guilherme. História Universal. História do Antigo Egito, v.I, Rio de Janeiro:Bertrand, p.401

[8] GOWLETT, John. Arqueologia das primeiras culturas. Barcelona:Folio, 2008, p.182

[9] PEDROSA, Ronaldo Leite. Direito em história. Rio de Janeiro: Lumen, 2005, p. 7

[10] SABATO, Ernesto. Nosso universo maravilhoso, Rio de Janeiro:Brasil Lê, v.I, p.40



Doação de Constantino

  Marc Bloch observa a ocorrência de falsificações piedosas tais como a pseudo doação de Constantino ( Constitutum Donatio Constantini ) ao ...