A morte e
ressurreição de Osíris simbolizavam a retirada das águas do Nilo no outono e a
volta da inundação na primavera.[1] O grão,
símbolo do corpo de Osíris, parece não ter vida até que germine, de modo que
revivificação do grão refaz a ressurreição de Osíris sob o poder de Ísis.[2] Na lenda
tal como transmitida por Plutarco [3], Ìsis
recolheu os catorze pedaços de Osíris, com exceção do falo, juntando-as
cuidadosamente com bandagens de linho, vivificado pelo sopro de Anúbis, deus
dos mortos, o que seria a primeira múmia do Egito [4]. Segundo
a tradição Ísis teria encontrado e sepultado o corpo de Osíris em Abidos [5]. Com Osíris
revivificado Ísis concebeu Hórus que ao se tornar adulto empreendeu uma luta
eterna com Set. [6] Assim que as águas retrocediam os agricultores semeavam e lavravam a terra,
período de quatro meses chamado perit.
Então seguia-se o período de colheita, o chemu,
pelos restantes quatro meses do ano. [7] A lenda
de Osíris tornou-se conhecida a partir do texto por Plutarco no ano 100 d.c. A propos d’Isis et d’Osiris. [8] John
West observa que os templos do Antigo Egito não narram o mito de Osíris
presumivelmente por se algo de amplo conhecimento, tais narrativas se tornaram
conhecidas pelos escritores gregos e romanos.[9] Byron
Schafer observa que os textos do Egito Antigo não se referem à morte de Osíris,
pois um acontecimento narrado em detalhes seria eternizado de modo que as
narrativas somente surgem mais tarde na forma escrita já no período greco
romano.[10] No mito egípcio, o Nilo era a projeção de Osíris e a terra o corpo de Ísis de
modo que ao se misturar com o solo o Nilo-Osíris fecunda terra-Ísis.[11] Para
Joseph Campbell sobre o mito de Ísis que concede Hórus após a morte de Osíris:
“esse é um tema que aparece nas antigas mitologias, inúmeras vezes, sob
muitas formas simbólicas: da morte se origina a vida”.[12]