domingo, 22 de novembro de 2020

Zigurat de Ur

 

No planalto iraniano a cidade de Susa data de 4000 a.c. muito provavelmente fundada como centro religioso [1] possuía um zigurate de 80 metros cujo acesso ao topo era feito por uma escadaria interior. Susa no cadaico assírio era conhecida como Shushun.[2] Ur Nammu rei da Suméria (2112 a 2095 a.c.) [3] dominou Ur, Eridu e Uruk (Erech bíblico Genesis 10:10) e mandou edificar um zigurate em Ur em homenagem a deusa lua Inanna [4], versão suméria da deusa Ishtar [5], deusa mesopotâmica associada ao amor, ao erotismo, a fecundidade e a fertilidade, com uma base de 70 metros por 46 metros e altura de 25 metros [6]. O zigurate de Ur é o mais bem preservado da Mesopotâmia no Iraque foi construído e 3000 a.c e reconstruído [7] no reinado sumério de Urnamu em 2100 a.c. com revestimento externo de tijolos cozidos unidos com betume. [8] O zigurate de Ur escavado por Leonard Wooley entre 1922 e 1934 revela os andares inferiores pintados de negro e os superiores de vermelho representando o contraste entre trevas e luz.[9]

[1]ROAF, Michael. Mesopotãmia v.I, Lisboa:Ed. Del Prado, 1996, p. 63

[2]MASPERO, Gaston. History Of Egypt, Chaldæa, Syria, Babylonia, and Assyria, v. 4, London:Grolier Society, 1896. http://www.gutenberg.org/files/17324/17324-h/17324-h.htm

[3]ROAF, Michael. Mesopotãmia v.I, Lisboa:Ed. Del Prado, 1996, p. 58, 98

[4]GARBINI, Gioavanni, O mundo da arte: o mundo antigo, São Paulo: Enciclopédia Britãnica do Brasil, 1966, p.27

[5]ROAF, Michael. Mesopotâmia v.I, Lisboa:Ed. Del Prado, 1996, p. 59, 81, 99

[6]KRAMER, Samuel. Mesopotãmia o berço da civilização, Rio de Janeiro: José Olympio, 1983, p. 42; LLOYD, Seton. Building in brick and stone. SINGER, Charles; HOLMYARD, E. A history of technology, v.I. Oxford Clarendon Press, 1958, p.467

[7]EYDOUX, Henri Paul. Os homens que construíram a torre de Babel. In: Seleções do Reader’s Digest, Os últimos mistérios do mundo, Lisboa, 1979, p.174

[8]EYDOUX, Henri Paul. Á procura dos mundos perdidos, São Paulo:Melhoramentos, 1967, p. 59

[9]EYDOUX, Henri Paul. Os homens que construíram a torre de Babel. In: Seleções do Reader’s Digest, Os últimos mistérios do mundo, Lisboa, 1979, p.171





Copérnico e o centro do universo

 

Embora alguns autores associem a tese geocêntrica como um reflexo do pensamento antropocêntrico, Dennis Danielson observa que estar no centro do universo não era visto como uma glória, mas ao contrário como ponto de convergência da matéria mais inferior, mais rude e mais distante da perfeição [1]. Maimônides (1135-1204) afirmou que “no caso do Universo, quanto mais próximas estão as partes do centro, maior é sua turbidez, solidez, inércia, obscuridade e e escuridão porque mais longe estão do elemento mais elevado, da fonte de luz e brilho”. No comentário ao De Caelo de Aristóteles, Tomás de Aquino conclui no mesmo sentido: “no universo, a Terra – em torno do qual todas as esferas circulam e que, como localização, está no centro – é o mais material e grosseiro de todos os corpos”. [2] Pico de la Mirandola em Da dignidade humana publicado em 1486 se refere a Terra como ocupando “as partes imundas e excrementárias do mundo inferior”. Montaigne em Ensaios publicado em 1568 se refere a posição da terra como “alojados aqui na poeira e na sujeira do mundo, pregados e fixados na pior e mais morta parte do universo, no andar mais baixo da casa, o mais longe do arco celestial”. Denis Danielson mostra que ao colocar o Sol no centro do universo Copernico estava exaltando o homem e rebaixando o Sol segundo esta visão tradicional do centro status do centro de universo como algo negativo.  No entanto Denis Danielson mostra que para escapar dessa acusação, Copernico precisou redefinir a posição do centro do universo como lugar de glória de modo a não rebaixar o Sol quando em seu livro De revolutionibus orbium coelestium apresenta a tese heliocêntrica exalta a posição do Sol: “Imóvel, no entanto, no meio de tudo está o Sol. Pois nesse mais lindo templo, quem poria esse candeeiro em outro ou melhor lugar do que esse, do qual ele pode iluminar tudo ao mesmo tempo ? Pois o Sol não é inapropriadamente chamado,por alguns povos, de lanterna do universo; de sua mente, por outros; e de seu governante, por outros ainda [Hermes] o Três Vezes Grande, chama-o de um deus visível, e Electra, de Sófocles, de onividente”.[3] Para Frances Yates “o intenso realce dado ao Sol, nessa nova visão de mundo, era a força propulsora que induziu Copérnico a empreender cálculos matemáticos, sob a hipótese de que o Sol estava realmente no centro do sistema planetário; ele desejava tornar aceitável a sua descoberta apresentando-a dentro do quadro de referências dessa nova atitude”.



[1] CALDEIRA, Henrique. Os antigos NÃO se orgulhavam de estar no centro do universo!, Estranha História, 2020 https://www.youtube.com/watch?v=QyzNdznzDwc

[2] DANIELSON, Dennis. Mito 6: que as ideias de Copérnico removeram os seres humanos do centro do Cosmos. In: NUMBERS, Ronald. Terra plana, Galileu na prisão e outros mitos sobre a ciência e religião, Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2020, p. 83

[3] RONAN, Colin. História Ilustrada da Ciência: Da Renascença à Revolução Científica. v.3, São Paulo:Jorge Zahar, 2001, p.68; STRATHERN, Paul. O sonho de Mendeleiev: a verdadeira história da química, Rio de Janeiro:Zahar, 2002, p.64, 98; McCLELLAN III, James; DORN, Harold. Science and technology on world history: an introduction. The Johns Hopkins University Press, 1999, p.210; BRONOWSKI, J. A escalada do homen, São Paulo:Martins Fontes, 1979, p.197; BRAGA, Marco; GUERRA, Andreia; REIS, Jose Claudio. Breve historia da ciência moderna, v.II, Rio de Janeiro:Zahar, 2011, p. 73; TATON, René. A ciência moderna: o Renascimento, tomo II, v.I, São Paulo:Difusão, 1960, p. 70; CORNELL, Tim; MATHEWS, John. Renascimento v.II ,Grandes Impérios e Civilizações, Lisboa:Ed. Del Prado, 1997, p. 132; BURTT, Edwin Arthur. As bases metafísicas da ciência moderna. Brasília: UNB, 1984, p. 44






sábado, 21 de novembro de 2020

Recife holandês

 

O viajante Henry Koster em fins do século XVIII descreve que “Recife é um lugar próspero, aumentando dia a dia em importância e opulência”. Os artífices se organizavam em locais como a rua dos Ferreiros, a rua dos Calafates, a rua dos Carvoeiros, a rua dos Tanoeiros, a rua dos Barbeiros, dos Ourives e dos Caldeireiros. Lemos Brito contesta a suposta superioridade da colonização holandesa no Brasil: “dificilmente o Brasil teria alcançado o desenvolvimento de seu espírito nacional sob o pulso de ferro dos governos holandeses. A não ser em Recife, onde Maurício de Nassau se fez cercar de fausto e conforto, construindo moradias e pontes (como a ponte de Recife) que assegurassem sua defesa e trazendo arquiteto e pintores, tão do seu refinado gosto, que é que ficou da longa dominação holandesa no Brasil ?”.[1] Antes da inauguração da Ponte do Recife em 1644, atual Ponte Mauricio de Nassau, projetada pelo arquiteto judeu Baltazar de Affonseca, o Conde de Nassau divulgou amplamente que na inauguração da ponte faria um Boi Voar, o que foi possível com uso de um engenhoso mecanismo de cordas e roldanas e um boi empalhado.

[1] BRITO, José Gabriel Lemos. Pontos de partida para a história econômica do Brasil. Brasiliana v. 155, São Paulo:Cia Editora Nacional, 1980, p.54



Tear no Antigo Egito

 

A figura mostra Tear egípcio segundo relevo da tumba de Khnemhetep em Beni Hasan. Este tear foi reconstruído para a Exibição de Paris em 1899 [1] Na tumba de Khety também em Beni Hasan é mostrado um tear horizontal para confecção de tapetes. A primeira evidência de tear horizontal no Egito data de 4400 a.c.[2] representado numa figura em um pote feito de cerâmica encontrando numa tumba de uma mulher em Badari no Antigo Egito. Os primeiros teares verticais egípcios  como na figura datam de 1400 a.c. [3] A coleção mais rica de tecidos do Egito Antigo provém da tumba de Thutankhamon como exemplares de linho fino. Entre os corantes usados destacavam-se o índigo, a hena e a flor de Carthamus tinctorius.

[1]CROWFOOT, Grace. Textiles, basketry and mats. In: SINGER, Charles; HOLMYARD, E. A history of technology, Oxford Clarendon Press, v.I, 1958, p. 437; MASPERO, Gaston. History Of Egypt, Chaldæa, Syria, Babylonia, and Assyria, v. 2, London:Grolier Society, 1896 http://www.gutenberg.org/files/17322/17322-h/17322-h.htm http://etc.usf.edu/clipart/18700/18703/egyptweave_18703.htm

[2]CROWFOOT, Grace. Textiles, basketry and mats. In: SINGER, Charles; HOLMYARD, E. A history of technology, Oxford Clarendon Press, v.I, 1958, p. 425

[3]CROWFOOT, Grace. Textiles, basketry and mats. In: SINGER, Charles; HOLMYARD, E. A history of technology, Oxford Clarendon Press, v.I, 1958, p. 432



sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Ataques aos engenhos coloniais dos séculos XVI e XVII

 

Lemos Brito observa que no Brasil colônia do século XVI as ameaças constantes de ataques de tribos indígenas constituem um fator adicional para o português não investir intensivamente na atividade agrícola: “o colono não sentia atrativos por uma iniciativa trabalhosa, relativamente pouco compensadora, demorada e a exigir um serviço permanente de defesa”.[1] São inúmeros os relatos de destruição de engenhos e lavouras por indígenas no século XVI, como no Maranhão ou na Paraíba do Sul segundo relato de Pero de Goes. Segundo Lemos Brito: “poder-se-iam multiplicar os exemplos desses assaltos dos silvícolas, determinando muitas vezes o malogro total das lavouras como em Ilheus e Paraíba do Sul e na generalidade dos casos levando aos colonos desânimo, desinteresse, a morte da iniciativa no domínio da agricultura”.[2] Havia também os ataques de piratas e corsários estrangeiros. Robert Withrington bombardeou e destruiu engenhos na Bahia em 1582, em 1591 Cavendish atacou Santos, São Vicente e Ilha Grande provocando saques e incêndios em diversos engenhos. Os holandeses atacaram inicialmente a Bahia cometendo pilhagens nas costas de Alagoas e Pernambuco como consta nos documentos da Companhia das Índias Ocidentais. Também os próprios portugueses na reconquista de Sergipe sob ordens do vice rei Montalvão incendiou canaviais e engenhos de açúcar holandeses. Segundo Felisbelo Freire sob o ataque aos holandeses em Sergipe: “a destruição encetada pelos conquistados é acabada pelos conquistadores , que entregam às chamas a pequena cidade (Itabaiana) devastam os canaviais e os sítios, incendeiam os engenhos e em vez de protegerem os infelizes abandonados enxotam-nos de seus lares, para com a miséria e a dor, seguirem a reforçar o exército do fugitivo”. Durante toda a conquista de Pernambuco pelos holandeses e demais capitanias vizinha o período foi seguido por guerra, fuga, destruição e pilhagens. Segundo Ernesto Ennes, no tempo do quilombo de Palmares as pilhagens das propriedades e engenhos eram frequentes.[3] Segundo Décio Freitas os palmarinos faziam suas incursões não somente para roubar armas e ferramentas, mas para exercer sua vingança contra seus antigos senhores depredando  engenhos e incendiando plantações.[4] Segundo o depoimento do holandês Barleus os ataques dos palmerinos levaram aos holandeses a planejar a destruição do quilombo, porém Edson Carneiro contesta que os prejuízos pudessem justificar a custosas entradas de choque armado.[5] Mario Martins de Freitas menciona um documento encontrado na Torre do Tombo em Portugal escrito pelo Conselheiro Drummond que relata os ataques dos palmerinos aos engenhos e conclui: “era de fato  um inimigo portas a dentro , inimigo terrível porque organizado, inimigo terrível porque vingativo”.[6]

[1]BRITO, José Gabriel Lemos. Pontos de partida para a história econômica do Brasil. Brasiliana v. 155, São Paulo:Cia Editora Nacional, 1980, p.14

[2]BRITO, José Gabriel Lemos. Pontos de partida para a história econômica do Brasil. Brasiliana v. 155, São Paulo:Cia Editora Nacional, 1980, p.24

[3]BRITO, José Gabriel Lemos. Pontos de partida para a história econômica do Brasil. Brasiliana v. 155, São Paulo:Cia Editora Nacional, 1980, p.62

[4]FREITAS, Décio. Palmares a guerra dos escravos, Rio de Janeiro: Graal, 1978, p. 38

[5]CARNEIRO, Edison. O quilombo de Palmares, São Paulo: Martins Fontes, 2011, p. 59

[6]FREITAS, Mario Martins. Reino negro de Palmares, Rio de Janeiro:Bibliex, 1988, p. 210




Tecelagem no neolítico

 

Embora o homem de Neandertal tenha fabricado as primeiras roupas, o vestígio mais antigo existente de roupa data de 35 mil a.c encontrado na Russia [1]. Marcas de cestaria e têxteis feitos com plantas selvagens foram encontrados em Dolni Vestonice datados de 26 mil a.c. e diversos outros locais na Morávia [2], em sua maioria feitos por mulheres [3]. Gordon Childe aponta que tanto a fiação como o tear foram invenções de mulheres [4]. O uso de palha para fabricação de cestos e cordoalha para bolsas são resíduos vegetais e, portanto, de conservação precária.[5] Em Dolni Vestonice na República Tcheca encontraram-se vestígios de tecidos datados de 27 mil a 22 mil a.c. [6] Por volta de 7000 a.c. foram encontrados tecidos de linho em Nahal Hermar na Mesopotâmia. [7] Tecidos de lã foram encontrados em Çatal Huyk na Anatólia datados de 6000 a.c.[8] Luis Bonilla [9] aponta em algumas pinturas rupestres de cavernas da Espanha relata a representação de mulheres com saias até os tornozelos o que atesta um certo conhecimento na arte de tecer. Nancy Tanner e Adrienne Zihlman argumentam que coube as mulheres o poder de explorar as primeiras ferramentas que eram usadas não para a caça de animais grandes mas sim espetos de escavação para colher plantas, formigas e animais que viviam em tocas, bem como alguma espécie de recipiente ou bolsa para cerrar castanhas e raízes [10]. Grace Crowfoot mostra que as evidências mais antigas de cestaria datam de sítios do neolítico no Egito e Iraque por volta de 5000 a.c. por exemplo encontrados em Jarmo que mostram padrões de cestaria impressos em argila tipo I (a tira passa ao redor da última bobina, perfurando a borda da que está abaixo já no lugar) e tipo II (a tira passa da mesma maneira, mas além de perfurar a bobina, perfura também o ponto imediatamente abaixo dela).[11]

[1]ROBERTS, J.M. history of the world, Oxford University Press, 1992, p.16

[2]ADOVASIO, James; SOFFER, Olga; PAGE, Jake. Sexo invisível: Rio de Janeiro: Record, 2009, p. 188

[3]ADOVASIO, James; SOFFER, Olga; PAGE, Jake. Sexo invisível: Rio de Janeiro: Record, 2009, p. 192

[4]CHILDE, Gordon. O que aconteceu na história, Rio de Janeiro:Zahar, 1977, p.62

[5]ADOVASIO, James; SOFFER, Olga; PAGE, Jake. Sexo invisível: Rio de Janeiro: Record, 2009, p. 35

[6]FAGAN, Brian. Los setenta grandes inventos y descobrimentos del mundo antiguo, Barcelona:Blume, 2005, p. 56

[7]ROAF, Michael. Mesopotâmia v.I, Lisboa:Ed. Del Prado, 1996, p. 26

[8]PIGGOTT, Stuart. A Europa antiga, Lisboa:Fund. Calouste Gulbenkian, 1965, p. 46

[9]BONILLA, Luis. Breve historia de la técnica y del trabajo, Madrid:Ed. Istmo,1975, p.21

[10]LEAKEY, Richard; LEWIN, Roger. O povo do lago, Brasília:UNB, 1988, p.120, 130

[11]CROWFOOT, Grace. Textiles, basketry and mats. In: SINGER, Charles; HOLMYARD, E. A history of technology, Oxford Clarendon Press, v.I, 1958, p. 147




quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Colônia de exploração

 

Caio Prado Jr., em Formação do Brasil Contemporâneo, publicado pela primeira vez em 1942 defende a tese de que enquanto houveram colônias de povoamento nos EUA, no Brasil tivemos colônias de exploração para explorar os recursos naturais de um território virgem em proveito do comércio europeu. Roberto Simonsen já apontara o interesse mercantil de Portugal quando renomeou o país de Terra de Santa Cruz para Brasil. O católico João de Barros já denunciava os interesses mercantilistas: “por artes diabólicas se mudava o nome de Santa Cruz, tão pio e devoto, para o de um pau para tingir tecidos”. Segundo o jesuíta do século XVI: “vergonha que a cupidez do homem, por preocupações do tráfico, substituísse o lenho da cruz, tinto com o real sangue de Cristo, pelo de outra madeira, semelhante somente na cor”.[1]  Segundo Pereira da Silva sobre as conquistas portuguesas na África e na Índia: “Não se tratava de uma conquista regular, ou de uma metódica colonização. Pretendia-se transferir das Índias para Lisboa tudo o que valesse a pena para o reino. Era opinião corrente em Portugal que partia-se para as índias no intento exclusivo de enriquecer-se. Lauto banquete aberto para as cobiças. Voltasse com riquezas e seria considerado e honrado na pátria. Pobre, embora carregado de serviços, ferido no corpo, maltratado da sorte, estava exposto a sofrer prisões e misérias, como sucedera a Duarte Pacheco”.[2] Duarte Pacheco vencera o cerco a Calicute e voltara em triunfo a Portugal em 1505 tendo sido seus feitos na Índia relatados ao papa. De 1519 a 1522 foi nomeado capitão e governador de São Jorge da Mina onde foi acusado de contrabando de ouro tendo sido preso pelo rei português D. João III. Para Roberto Simonsen de uma mera colônia de exploração o Brasil foi se transfigurando em uma colônia mista de povoamento e exploração mais tarde [3]. Roberto Simonsen, porém, aponta que no século XVI as rendas com pau brasil tornavam a colônia deficitária para o erário real.[4] O historiador português João Ameal, ao abordar a mestiçagem de portugueses com mulheres nativas, contudo, tem outra perspectiva: “É pois exato afirmar que Portugal não coloniza, reparte-se, em quantas localidades se instala. Cria outros Portugais, ou melhor: cria províncias fieis ao modelo da Nação-mãe. Reparte sem reservas os seus valores espirituais e éticos, as suas estruturas cívicas, as suas normas de coexistência, os seus métodos de trabalho. Não é, de modo algum, o tipo do Povo-parasita, que se intromete em casa alheia para explorar ou oprimir; é sim, do tipo Povo-irmão: funda novos lares, que, pelos elos estabelecidos com os lares primitivos, lhe asseguram natural posição no meio deles. Enquanto dá ao Mundo novos mundos, insere-se em enraíza-se, em igualdade autêntica de liberdades e faculdades, em conjunto humano fraterno e estável, nesses novos mundos que revela. Assim acontece nas terras da África, assim na Índia e na China, assim na Oceania, assim no Brasil”.[5]



[1]SIMONSEN, Roberto. História Econômica do Brasil, São Paulo:Cia Editora Nacional, 1962, p.64

[2]BRITO, José Gabriel Lemos. Pontos de partida para a história econômica do Brasil. Brasiliana v. 155, São Paulo:Cia Editora Nacional, 1980, p.11

[3]SIMONSEN, Roberto. História Econômica do Brasil, São Paulo:Cia Editora Nacional, 1962, p.32

[4]SIMONSEN, Roberto. História Econômica do Brasil, São Paulo:Cia Editora Nacional, 1962, p.92

[5]AMEAL, João. Breve Resumo da História de Portugal, Lisboa: Livraria Tavares Martins, 1964, p.50



Doação de Constantino

  Marc Bloch observa a ocorrência de falsificações piedosas tais como a pseudo doação de Constantino ( Constitutum Donatio Constantini ) ao ...